Escritor, dramaturgo e ensaísta português, natural de Vila do Conde. Licenciado em Filologia Românica, pela Universidade de Coimbra (1925), foi professor liceal primeiro no Porto e, a partir de 1929, em Portalegre, onde permaneceu mais de trinta anos, mantendo assim uma profissão paralela à de escritor. Em 1927, fundou, juntamente com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, a revista
Presença, que marcou o segundo modernismo português. Para além da sua colaboração assídua nesta revista, deixou também textos dispersos em publicações como a
Seara Nova,
Ler,
O Comércio do Porto e o
Diário de Notícias.
Júlio Verne, Emile Zola e Victor Hugo foram alguns dos autores que leu durante a infância. Com apenas 12 ou 13 anos ensaiou as primeiras palavras e escreveu o primeiro livro de versos:
Violetas e também iniciou a sua biblioteca.
Como escritor, José Régio dedicou-se ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. Na sua obra são centrais as problemáticas do conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, a solidão e o orgulho, o poeta e os outros, numa análise crítica das relações humanas e do dilaceramento interior perante a divisão entre o espírito e a matéria e a ânsia humana do absoluto. Levando a cabo uma auto-análise e uma introspecção constantes, motivadas pela sensação permanente de insatisfação, a sua obra é fortemente marcada pelo tom psicologista e pelo misticismo inquietante. A sua poesia, de grande tensão lírica e dramática, apresenta-se frequentemente como uma espécie de diálogo entre níveis diferentes de consciência. A mesma intensidade psicológica aliada a um sentido de crítica social, tem lugar na ficção. Como ensaísta, dedicou-se ao estudo de autores como
Camões,
Raul Brandão e
Florbela Espanca.
Estreou-se, em 1925, com o volume de poesia
Poemas de Deus e do Diabo, a que se seguiram
As Encruzilhadas de Deus (1936),
Fado (1941),
Filho do Homem (1961),
Cântico Suspenso (1968) e, a título póstumo,
Música Ligeira (1970),
Colheita da Tarde (1971),
16 Poemas (1971) e
Páginas do Diário Íntimo (2000). Na ficção narrativa, publicou
Jogo da Cabra-Cega (1934),
Davam Grandes Passeios aos Domingos (1941),
O Príncipe com Orelhas de Burro (1942), o ciclo
A Velha Casa (1945-1966) e
Histórias de Mulheres (1946), entre outros.
Na sua obra ensaística, destacam-se os
Três Ensaios Sobre Arte (1967), que reúnem textos publicados anteriormente. Relativamente ao teatro, são vários os textos que escreveu para jornais e revistas, acerca da estética e da
praxis da arte dramática. Em 1940, publicou o
Primeiro Volume de Teatro que incluía as peças
Jacob e o Anjo (1940) e
Três Máscaras.
Em vida, a única peça que viu representada no teatro profissional foi
Benilde ou a Virgem-Mãe (1947), no Teatro Nacional D. Maria II, tendo como protagonista Maria Barroso. Para Régio, o teatro era a «parte mais original e consequentemente mais incompreendida» da sua produção literária.
Da sua obra teatral destacam-se ainda:
A Salvação do Mundo,
Mário ou Eu Próprio o Outro e
O Meu Caso. É considerado um dos vultos mais significativos da moderna literatura portuguesa. Recebeu postumamente, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia, pelo conjunto da sua obra poética. As suas casas de Vila do Conde e Portalegre são hoje museus.
José Régio também coleccionava objectos populares, principalmente Cristos e Santos António, que estão em expostos na Casa Museu José Régio.